segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sobre lojas "alternativas" e um pouco mais

Oiiii gurizadinha linda e trevosa! 

Hoje eu vim escrever sobre algo que tá martelando muito na minha cabeça: a falta de alternatividade no mundo no mundo alternativo. Vocês devem estar pensando: "Como assim? Do que é que essa doida falando?". Eu explico: faz uns dias que venho planejando minha renovação de guarda-roupa, tanto o post aqui no blog, como também selecionar peças para doar, consertar, etc. Com isso, comecei a procurar entender meu estilo, como eu queria me vestir, encaixar isso com as peças que eu já tenho... Aí, além de procurar influências, comecei a catar os lugares e sites onde eu poderia comprar as roupas e acessórios escolhidos.

Imagem que eu achei no Fashion Design List

Procurei as peças escolhidas, dentre roupas, acessórios e sapatos em umas oito lojas diferentes. Não tinha meu tamanho em sete delas. Em sete dessas lojas (virtuais e físicas) os preços eram absurdos!!!!!! Sim, eu sei que os tecidos usados nas peças do mundo rock são caros, mas pagar R$ 500,00 numa jaqueta de courino e spikes é um absurdo. Gente, eu vi brechós vendendo blusinhas por R$ 80,00 em uma peça de marca desconhecida. E aí fico me perguntando: o que é ser alternativo pra essas lojas? Só o que vejo são lojas vendendo roupinha "gótica" e se chamando de alternativas, mas será que são mesmo? Todo mundo aí que se veste diferente já sofreu preconceito por não ser comum, nem se vestir como todo mundo, né? Então, eu acho extremamente excludente que uma loja não pense em mim quando faz uma roupa. 

Será que gordo não pode ser alternativo? Eu me sinto excluída. E pra mim, a moda alternativa deveria valer para todos que querem se vestir naquele estilo. Ser alternativo é ser diferente, pensar diferente. É, principalmente, ao meu ver, uma negação dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Excluir pessoas gordas ou super magricelas, super altas ou super baixas (e n outros fatores que diferenciam o corpo das pessoas) de usarem peças alternativas é impôr um padrão de tamanho para aquele estilo. Cobrar absurdamente por peças que não custaram tão caro assim para serem produzidas é excluir pessoas pobres de comprar aquelas roupas. Acho também que todo esse lance de "gótico suave" deu um start pras lojas começarem a oferecer roupas "góticas" pra esse tipo de público. Nesse ponto, eu nem vou falar muito, acho que esse texto do Moda de Subculturas fala tudo que eu deveria falar e mais um pouco. 

Nessa imagens, várias atletas com corpos completamente diferente uns dos outros.

Pôxa vida, já é tão difícil um adulto em idade produtiva poder usar o que quiser! É difícil acharmos lojas que investem em fazer peças diferenciadas, mas quando achamos, elas são inacessíveis. Não disponibilizar peças sob medida ou com um preço mais justo é dizer que só gente que vai até o G, e que tem dinheiro de sobra é que pode ser alternativo. Entendem o problema? Pra quê sair de uma sociedade excludente para se tornar uma sociedade excludente? A mesma coisa eu digo com lojas de produtos veganos e/ou vegetarianos: se você cobra 8 reais em um pacote de arroz orgânico, não acha que tá obrigando quem recebe salário mínimo a comprar um arroz com produtos químicos? Falta acessibilidade, falta abrangência de mercado, falta pensar que nem todo mundo é padrão. Vi lojas de botas fabricando com couro ecológico, numa jogada tipo: "Oi, fizemos diferente do atual mercado e não matamos nenhum bicho para fazer esse produto, mas mesmo nos custando menos pra produzir do que o produto original, vamos cobrar 3x mais caro". Hipocrisia, a gente vê por aqui.



Eu vou começar na semana que vem os posts com a tag "Renovando o Guarda-Roupas", mas tem uma diferença: as lojas que mostrarei aqui farão peças em diferentes tamanhos e terão preço justo. Entendam: eu ganho pouco mais que um salário mínimo, galera! Não posso pagar quatrocentos reais em uma peça de roupa, a não ser que eu passe um bom tempo juntando a grana antes. São tempos difíceis e eu agradeço muito por estar trampando, tem muita gente desempregada aí. Quero investir em um guarda-roupa com meu estilo, mas que caiba no meu corpo e no meu bolso. Isso é uma crítica construtiva pra quem tem loja ou tá pensando em criar uma. Dêem a oportunidade de todo mundo conseguir usar suas peças!

A Mone Venzel postou essa imagem no último dia do Desafio do Universo Alternativo, e eu acho que ela se encaixa MUITO nesse texto.

Beijinhos pra vocês e espero que tenham paciência com esse texto! Hahaha <3

11 comentários:

  1. Adorei seu texto. Não somos da mesma cultura. Sou punk. ( Vc é cearense? ) Não sou de comprar muitas roupas, mas vez ou outra todo mundo precisa e é muito comum eu sair de casa para comprar algo e voltar sem nada. Pela injustiça do preço, materiais de baixa qualidade sendo vendidos por aí com um preço ridículo de caro. Sem contar nos tamanhos que não fazem sentido algum. Parece que só existe P, M e G no mundo. E a massificação e reprodução visual me cansa. Não sou tão velha (até pq punks não envelhecem rsrsrs), mas sou de uma geração que gostava de ser diferente e ser D.I.Y. Vou adorar ler seu post "Renovando o Guarda-Roupas". Quando paramos para analisar o que temos aprendemos a usar nossas coisas melhor e não consumir tanto.

    E sobre os produtos vegetarianos, de fato é alguns lugares é um lance que exclui pelo preço. Mas tem muita gente boa por aí fazendo seu trabalho cruelty free com preços acessíveis para pessoas como eu que trabalham muito e não podem cozinhar sempre, enfim! Escrevi rios rsrs

    Abraço da Jeh! :)
    Esse é meu blog: danificaresubverter.blogspot.com
    :) Adorei o seu.

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    1. Jeh, eu sou uma pessoa muito assim: dificilmente eu odeio de cara, mas quando eu sei que a pessoa é legal eu gosto dela na hora! E só pelo teu blog, teus posts e esse teu comentário eu já virei sua fã!
      Sou cearense sim, de Quixeramobim :) Já ouviu falar?

      Eu opto pelo consumo consciente também, e não vou pagar um preço abusivo por algo que nem foi tão caro assim de produzir. Sobre os produtos vegetarianos, é mais fácil encontrar essa gente boa com trabalho cruelty free na feirinha do produtor rural do que em marcas. Gosto muito da Mãe Terra, por exemplo, MAS PÔXA VIDA, quanta contradição essa marca...

      Beijão e fico muito muito feliz de ter você aqui no meu blog <3

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    2. Valha mulher! Nunca tive um fã ushuahsua <3 Own! Você é massa demais visse? Sei onde é sua city e agora que sei de onde vc é vou usar minhas gírias mais à vontade suahsuahsu
      Então, não conheço essa marca. Tenho amigos aqui em Fortaleza que trabalham com alimentação vegana e conheço outros que trabalham com cosméticos e produtos de higiene pessoal totalmente livre de crueldade. Todo sábado rola uma feirinha e muita gente massa está por lá!
      Eu já te sigo no insta e no blogger. Quando eu te achar no face vou seguir também hahaha

      Abraço!

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  2. Oi, Rafaela! Também vejo essa exclusão quando procuro peças alternativas pela internet, não tanto pelo tamanho no meu caso, mas pelos preços! Parece que essas lojas esquecem que quem costuma se identificar com o universo alternativo não são as pessoas "da classe A" com dinheiro sobrando, muito pelo contrário! Já que as lojas comuns não pensam em diminuir seus preços mesmo em tempos de crise como o que a gente tá vivendo, o mínimo que se esperaria de uma loja que se diz "alternativa" era oferecer uma (adivinha!) alternativa com relação a preço!
    Ótimo post!
    um beijo!

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    1. Então, tô falando que falta alternatividade nessas lojas alternativas. Pôxa vida, normalmente em uma contracultura, as pessoas, em sua maioria, não são ricas, né? Por que exagerar nos preços e excluir uma grande parte do público interessado?
      Um beijão pra ti, meu bem, obrigada por comentar <3

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  3. Concordo em gênero número e grau com tudo o que você disse.
    Roupa de internet eu quase desisti de procurar. E qndo acho e gosto muito, o caso é juntar a grana uns meses antes pra poder comprar. Eu devo ter umas 6 peças de lojas alternativas de verdade no meu guarda roupa, o resto, fui comprando o que achava em loja comum e customizava. Comigo, DIY e customização são as almas da parada uhehuehue

    Muito obrigada pelo comentário super lindo e fofo que me deixou. Saiba que tô adorando seu blog, e já tô seguindo, pra não perder nada tbm. Não tenho hábito de comentar sempre, mas pode saber que agora lerei tudo o que postar <3

    bjão sua linda!

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    1. Siiiim Nay, tava olhando alguns dos seus DIY, e é realmente o que salva, né? Esses preços absurdos realmente dificultam de eu ter um guarda-roupa do jeito que eu quero :(

      Adorei seu blog e obrigada por ter vindo retribuir a visita <3

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  4. Miga, por essas e outras eu afirmo: eu não compro roupas básicas em lojas alternativas. Só compro quando é uma peça excepcional mesmo, no mais, eu monto a maioria dos meus looks com peças de roupas baratas, compradas em lojas comuns mesmo. As peças do ensaio Hippie Goth mesmo, todas até R$ 30, 45 reais no MÁXIMO. O segredo tá em ter imaginação fértil. Sobre a sua TAG Renovando o Guarda Roupas, eu também tenho em meu blog essa marcação, heuheue! Mas o meu projeto eu tive que estacionar pq estou perdendo peso... Boa sorte. <3


    4sphyxi4.blogspot.com.br

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    1. Miga, você tá linda do jeito que tá, imagina quando chegar no peso que você quer *-*
      Pois é, acabo comprando peças básicas e fazendo milagres, mas puxa vida, que vontade de ter grana pra comprar TODAS as peças de algumas lojas :( Pena que 1: a maioria não vai caber em mim e 2: é muita grana AHUAHUAHUAHUAHUHAUHA

      Obrigada pela visita, monamu!

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  5. Adorei o texto Rafa!
    Eu tava pensando muito nisso esses dias também. Tava até pensando em fazer um vídeo sobre, mas vamos ver porque quando começo a falar sobre assuntos assim eu acabo travando. Se não der pra falar, faço um texto mesmo.
    Mas super concordo contigo. O que adianta a loja se dizer alternativa e fazer umas roupinhas pretas se os tamanhos são todos pequenos ou os preços muito altos?
    Acaba que o público alvo deles não pode comprar as peças por não ter dinheiro ou caber nas roupas. E acho isso um problema ainda maior porque aí essas lojas vão buscar público fora do estilo, o que acaba tirando o significado de ser alternativo mesmo.
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Exatamente, Mone!
      Com isso as lojas acabam deixando as roupas alternativas pra um público não tão alternativo assim, e essa falta de protagonismo me revolta! Antes nós éramos rejeitados e excluídos pelo nosso estilo, aí vem essas lojas e fazem roupas meio que no nosso estilo, mas pra patricinha/boyzinho usar, mas se a gente não aplicar no estilo que a sociedade aceita, ainda somos excluídos da mesma maneira. Foda tudo isso!
      Eu acho que esse assunto dá muito diálogo e opinião, e praticamente todas as meninas alternativas que eu conheço nas internês já fez algum comentário sobre lojas alternativas não sendo tão alternativas assim. Fazer um vídeo sobre o assunto seria muito bom, desenvolveria um diálogo bem rico e ao invés de citar lojas caras, mostrar lojas que são realmente alternativas e baratas :)

      Beijão, diva! Obrigada pelo comentário e faz o vídeo se possível!

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