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Vultus Persefone
Fashion is not about size, it is about attitude.

Hoje eu vim falar um pouco sobre autoestima e autoaceitação. É até engraçado falar sobre isso aqui no blog, afinal, foi justamente o blog que me ajudou com que eu me aceitasse. Eu sempre gostei de me fotografar, mas antes eu fotografava e postava no Instagram ou no Facebook. Postava, mas se eu me achasse gorda ou tivesse feito alguma posição estranha eu excluía logo depois. Ficava insegura.

Todos os corpos são corpos bons
À medida que fui postando os looks aqui eu fui tanto começando a me aceitar quando sendo aceita. Achei que as pessoas iam comentar da barriga saltada pra fora da saia, ou aquela gordurinha do lado do braço. Vou ser sincera pra vocês: não é fácil ser gorda. Você passa a vida inteira sendo julgada apenas pelo seu corpo, como se ele definisse quem você é. A gorda é aquela do rostinho bonito, mas que ficaria realmente bonita se emagrecesse. Como se você fosse só o seu corpo. É foda não encontrar roupas que sirvam em você e crescer se sentindo culpada por comer. Ou comer pensando "Minha vida é uma merda, só me resta comer e ser gorda pra sempre". Tem horas que ser gorda pesa demais, e pesa na mente. 

Antes eu via problemas em ser gorda pra sempre. Mas sabe o que é engraçado? Hoje eu sei que não tem o mínimo problema em ser gorda, mas que é muito importante se alimentar bem. E eu me alimento bem. E isso basta pra mim. Se basta para os outros? Não sei. Eu só sei que me sentir bem vem antes de fazer o que as pessoas querem e que eu não preciso da aceitação dos outros, apenas da minha. Mas é claro que pra isso eu precisei primeiro ter muita coragem de dar a cara a tapa, fazer um blog e postar meus looks. Eu só pensava "quem é que quer ver uma gorda roqueira"? Hoje eu já penso assim "Porra, eu adoro ver minas roqueiras e gordas amando seu corpo e arrasando em looks maravilhosos!" e bom, se eu puder, eu quero ser uma dessas minas que se ama e gosta de postar looks trevosos, e que quem sabe pode estar ensinando outras pessoas gordas a se amarem e se aceitarem. 

parece até que me desenharam e esqueceram as tatuagens! UHAUHAUHAUHAU
Eu aceitando meu corpo, postando meus looks, perdendo a vergonha nas fotos foi fundamental pra mim. Haviam diversas situações que eu aceitava por ficar me culpando por ser gorda, atitudes de pessoas que me tratavam diferente pelo meu peso. Não quero entrar em detalhes, só queria dizer que quando as pessoas querem te machucar, elas apontam o dedo para a sua maior fraqueza, Aí eu decidi que não ia deixar meu peso ser minha fraqueza. Porque eu tenho várias qualidades e ser gorda não anula nenhuma delas.

Não deixe que as pessoas usem coisas que os tornam diferente do aceitável para te diminuir, ou te impedir de alcançar algo que você queira. Em mais de uma década na blogosfera eu queria ter um blog para falar sobre looks, moda alternativa e etc desde que blogs assim começaram a surgir. Por muitos anos eu deixei meu sonho de lado por ser gorda, acreditam? Um ano depois eu me cobro por não ter começado antes o blog!

Ilustra da Carol Rossetti
Foi muito bem ter escrito esse post, sabiam? Me deu vontade de criar uns vários Darkoutfits agora! UHAUAHUAHUAHUHA Vou ver se consigo fotografar um amanhã! Ah, sei que ficou faltando post uns dias e eu tô terminando de editar meus rascunhos pra ter posts nesses dias também, mesmo que eles já tenham passado! Por hoje é isso, lembrem-se: amai a si mesmo como quer que te amem! Amor próprio arrasa, baby! Até amanhã e espero que vocês tenham gostado desse post!
Wrote by Rafaela Ivo (@vultuspersefone)
Hell-o, princesinhas do Tio Luci!

Tendo passado por 2016 e o baque emocional que foi o ano passado, eu aprendi muito a lidar comigo mesma e com meus monstros. Hoje eu me sinto bem mais forte, posso dizer que pouco a pouco eu vou conseguindo sair da depressão, ou pelo menos, diminuir os efeitos que causava em mim. Claro que ansiedade ainda incomoda, mas quem sou eu pra querer viver uma vida perfeita e sem aflições? Se eu não fosse ansiosa acho que não seria eu. 

Pensando em tudo isso, eu decidi escrever uma carta para mim mesma. O objetivo é futuramente ler a carta e resgatar esse feeling de sabedoria e maturidade emocional que estou tendo agora, de bem-estar, sabe? Principalmente porque vou querer ler essa carta em tempos difíceis. Decidi publicar aqui, porque sei que muita gente tá passando/passou por problemas semelhantes aos meus. Enfim, vamos começar?

Querida Rafaela,
Espero que você tenha parado de se sentir culpada por tudo. Não, não é culpa sua que fulano pisa no seu pé no trabalho por você ser "diferente". Você é normal. Trabalha e estuda como todo mundo, e não é por usar mais roupas pretas que os outros que as pessoas tem que esperar menos de você. Você é super inteligente, autodidata, criativa e justa. Valorize esse seu lado sempre, mesmo que as pessoas te chamem de burra por ter opiniões divergentes às delas. Você não é burra, você não é estranha, você não é incapaz. Não deixe nunca mais que alguém te faça se sentir assim. Você ralou para ter tudo o que tem, eu tenho orgulho de você. Sei que o trajeto até aqui, em 2017 não está sendo dos mais fáceis. Tudo bem, a vida não é fácil mesmo, se eu já sei disso, sei que você vai estar ainda mais acostumada à ideia. 
Eu espero que você, assim como meu eu de hoje, continue aproveitando a vida e a Natureza em toda oportunidade que dê. Eu tenho medo que você deixe a rotina da vida tirar isso de você. Lembre-se o quanto é bom um vento gelado no rosto, uma caminhada em uma noite de geada, a água da cachoeira batendo nas suas costas. Como é gostoso sentar e conversar com os amigos. Que você nunca deixe de fazer carinho em qualquer gatinho de rua, e que continue com a habilidade de fazer amizades nas situações mais inusitadas. Eu espero sinceramente que você tenha plantado algumas coisas e melhorado o planejamento econômico, se não vamos envelhecer gastadeiras e sem ter a oportunidade de plantar algo, ver uma vida crescer...
Espero que o Morpheus e o Mephisto continuem super amigos e que amem dormir com você, e espero sinceramente que passe a rebeldia do Thanatos e ele aceite os dois novos irmãos sem problemas de ficar dentro de casa! Aposto que você deve estar rindo enquanto acaricia ele, esse gato mimado! Também espero que não tenhamos adotado mais gatos ainda, três filhos é o suficiente! Espero que tenhamos crescido amigas dos nossos irmãos como somos hoje. Família é importante e quero sempre por perto. 
Eu bem sei o quanto a vida e as pessoas nos maltrataram, justificando isso ou aquilo. Não tolere isso, nada na humanidade justifica uma pessoa ser malvada com a outra, fazer qualquer tipo de maldade. Não seja boba, não fique se diminuindo, não se deprecie, você é maravilhosa! Não deixe que ninguém lhe diga o contrário. Acho que quanto mais você envelhece, mais vai precisar dessa força que tem ao ser você mesma, a não ter vergonha de representar sua opinião, seu estilo, sua personalidade. Falando nisso, espero que você realmente tenha aprendido a economizar e tenha ido à vários shows: nós merecemos isso. 
Queria deixar bem claro que eu te parabenizo por todo o seu esforço e todas as suas conquistas! Não deve ter sido fácil chegar onde você chegou, mas nunca deixei de acreditar em você! Você é forte hoje e sei que vai continuar sendo. E que mesmo apesar de tudo, vai continuar sorrindo. E lembre-se: sempre que achar que está ruim agora, olhe pra trás e veja tudo o que já superou. Ou seja: você consegue!

Um abraço da Rafaela de 2017. 

Sei que esse post foi um pouquinho mais pessoal, mas muita coisa que escrevi na carta vai valer pra muita gente. Bom, pelo menos eu acho isso, né?! Espero que ajude de certa forma. Um abração pra vocês, obrigada por acompanharem mais um dia de BEDA e até amanhã! 
 
 
Wrote by Rafaela Ivo (@vultuspersefone)
Oiiii gurizadinha linda e trevosa! 

Hoje eu vim escrever sobre algo que tá martelando muito na minha cabeça: a falta de alternatividade no mundo no mundo alternativo. Vocês devem estar pensando: "Como assim? Do que é que essa doida tá falando?". Eu explico: faz uns dias que venho planejando minha renovação de guarda-roupa, tanto o post aqui no blog, como também selecionar peças para doar, consertar, etc. Com isso, comecei a procurar entender meu estilo, como eu queria me vestir, encaixar isso com as peças que eu já tenho... Aí, além de procurar influências, comecei a catar os lugares e sites onde eu poderia comprar as roupas e acessórios escolhidos.

Imagem que eu achei no Fashion Design List

Procurei as peças escolhidas, dentre roupas, acessórios e sapatos em umas oito lojas diferentes. Não tinha meu tamanho em sete delas. Em sete dessas lojas (virtuais e físicas) os preços eram absurdos!!!!!! Sim, eu sei que os tecidos usados nas peças do mundo rock são caros, mas pagar R$ 500,00 numa jaqueta de courino e spikes é um absurdo. Gente, eu vi brechós vendendo blusinhas por R$ 80,00 em uma peça de marca desconhecida. E aí fico me perguntando: o que é ser alternativo pra essas lojas? Só o que vejo são lojas vendendo roupinha "gótica" e se chamando de alternativas, mas será que são mesmo? Todo mundo aí que se veste diferente já sofreu preconceito por não ser comum, nem se vestir como todo mundo, né? Então, eu acho extremamente excludente que uma loja não pense em mim quando faz uma roupa. 

Será que gordo não pode ser alternativo? Eu me sinto excluída. E pra mim, a moda alternativa deveria valer para todos que querem se vestir naquele estilo. Ser alternativo é ser diferente, pensar diferente. É, principalmente, ao meu ver, uma negação dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Excluir pessoas gordas ou super magricelas, super altas ou super baixas (e n outros fatores que diferenciam o corpo das pessoas) de usarem peças alternativas é impôr um padrão de tamanho para aquele estilo. Cobrar absurdamente por peças que não custaram tão caro assim para serem produzidas é excluir pessoas pobres de comprar aquelas roupas. Acho também que todo esse lance de "gótico suave" deu um start pras lojas começarem a oferecer roupas "góticas" pra esse tipo de público. Nesse ponto, eu nem vou falar muito, acho que esse texto do Moda de Subculturas fala tudo que eu deveria falar e mais um pouco. 

Nessa imagens, várias atletas com corpos completamente diferente uns dos outros.

Pôxa vida, já é tão difícil um adulto em idade produtiva poder usar o que quiser! É difícil acharmos lojas que investem em fazer peças diferenciadas, mas quando achamos, elas são inacessíveis. Não disponibilizar peças sob medida ou com um preço mais justo é dizer que só gente que vai até o G, e que tem dinheiro de sobra é que pode ser alternativo. Entendem o problema? Pra quê sair de uma sociedade excludente para se tornar uma sociedade excludente? A mesma coisa eu digo com lojas de produtos veganos e/ou vegetarianos: se você cobra 8 reais em um pacote de arroz orgânico, não acha que tá obrigando quem recebe salário mínimo a comprar um arroz com produtos químicos? Falta acessibilidade, falta abrangência de mercado, falta pensar que nem todo mundo é padrão. Vi lojas de botas fabricando com couro ecológico, numa jogada tipo: "Oi, fizemos diferente do atual mercado e não matamos nenhum bicho para fazer esse produto, mas mesmo nos custando menos pra produzir do que o produto original, vamos cobrar 3x mais caro". Hipocrisia, a gente vê por aqui.



Eu vou começar na semana que vem os posts com a tag "Renovando o Guarda-Roupas", mas tem uma diferença: as lojas que mostrarei aqui farão peças em diferentes tamanhos e terão preço justo. Entendam: eu ganho pouco mais que um salário mínimo, galera! Não posso pagar quatrocentos reais em uma peça de roupa, a não ser que eu passe um bom tempo juntando a grana antes. São tempos difíceis e eu agradeço muito por estar trampando, tem muita gente desempregada aí. Quero investir em um guarda-roupa com meu estilo, mas que caiba no meu corpo e no meu bolso. Isso é uma crítica construtiva pra quem tem loja ou tá pensando em criar uma. Dêem a oportunidade de todo mundo conseguir usar suas peças!

A Mone Venzel postou essa imagem no último dia do Desafio do Universo Alternativo, e eu acho que ela se encaixa MUITO nesse texto.

Beijinhos pra vocês e espero que tenham paciência com esse texto! Hahaha <3
Wrote by Rafaela Ivo (@vultuspersefone)
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