segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

DdL #3: Os Subterrâneos, de Jack Kerouac

Hell-o, leitoras da escuridão!

Hoje eu vou falar de um livro do Jack Kerouac, mais um dos livros que estavam na minha estante e eu não tinha lido ainda. Uma curiosidade sobre mim é que sempre que adquiro um livro, eu escrevo o mês e ano que adquiri o livro na primeira folha dele. Esse livro tá desde junho de 2015 (!!!!!) na minha estante e nunca li. Fora que ele tem 140 páginas, fácil de ler. Enfim, vamos lá?


Descrição: Escrito durante três dias e três noites, os subterrâneos foi gerado a partir do mesmo tipo de romance inspiracional que produziu o grande clássico de Kerouac: On The Road. Girando em torno da tumultuada relação entre Leo Percepied e Mardou Fox, dois frequentadores do undergound de São Francisco, sendo ele o alter ego do autor e ela uma moça metade cherokee, metade negra - , trata-se de uma história de becos escuros e cômodos esfumaçados, de artistas, visionários e aventureiros vivendo à margem da sociedade. Publicado em 1958 - um ano após o lançamento de on the road - , Os Subterrâneos parte de uma experiência autobiográfica (o relacionamento de Kerouac com uma moça negra, no verão de 1953) para, num estilo jazzístico, apresentar os deleites e os desafios daquela cativante geração de hipsters.

Antes de começar a escrever esse parágrafo eu dei uma mega suspirada. A verdade é que eu não sei exatamente se o livro é bom ou ruim. Ele me agradou em umas coisas e me irritou muito em outras. Primeiro: minha experiência anterior com Kerouac é a seguinte: li On The Road, Vagabundos Iluminados e Big Sur. Na época eu fiquei alucinada com a geração beatnik e li Ginsberg e Burroughs também. Eu particularmente sou muito fã ainda, principalmente do Burroughs, mas ler esse livro me deixou mega irritada com Kerouac. Deixa eu explicar...


O livro tem toda essa loucurada da geração beat: mil diferentes drogas sendo usadas e suas viagens sendo descrevidas, outros artistas drogados com nomes trocados são personagens do livro também. Porém nesse livro o Kerouac repete o mesmo jeito de narrar a história que usou em On The Road, e ao invés de isso ser bom, se tornou completamente irritante e cansativo. Pontuação é algo que praticamente não existe nessa história. Mais uma vez escrito em um frenesi em que Kerouac achou que poderia esquecer de todos os sinais da pontuação e que poderia escrever de maneira estranha e bagunçada, mas inserir umas frases de efeito no meio.

"Nossa, mas você odiou o livro tanto assim?" Sim, odiei. A leitura não fluía, eu precisava ler e reler pra entender, já que além de não ter pontuação e ter sido escrito em três dias, os diálogos muitas vezes não fazem sentido. Mas o que mais me irritou foi o fato de que o personagem Leo Percepied (alter ego de Jack Kerouac) fica evidenciando o tempo todo que Mardou (pseudônimo da mulher negra com quem ele se relacionou) é negra. Tudo bem a época era preconceituosa, mas se ele a amasse de verdade, ele não veria cor e veria uma pessoa, simples assim. Fala mil vezes que ela é do jazz, que transava com um outro cara, e outro também. 


Porém o que acontece é que durante todo o relacionamento de Leo e Mardou, Leo foi extremamente machista, ciumento, irresponsável e descompromissado com Mardou. Depois, quando ela dá um pé na bunda dele, ele escreve um livro super atropelado em três dias e ainda ganha mó grana com isso? Vamos parar por aqui, né? Vou deixar de falar mal do livro e adicionar que apesar de tudo isso, Jack Kerouac sabe contar uma história como ninguém, e quando os diálogos fazem sentido, eles são muito geniais. Tendo dito isso, não digo que indico esse livro, mas indico Big Sur que é um livro do Kerouac maravilhoso, digno de leitura mesmo. 

Um beijão pra vocês, tá quase terminando as resenhas de janeiro! Deem sua opinião nos comentários, e se tiverem alguma dúvida ou quiserem debater, comentem aqui! <3 


2 comentários:

  1. Oiiii rafa!
    Já ouvi falar muito bem big sur, mas nunca parei para ler um resenha. Está minha lista:>
    Um beijão.

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    Respostas
    1. Sou louca pra ter Big Sur na minha estante, mas quem sabe ano que vem kkk
      Beijooo!

      Excluir

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